sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

* relato *

 A noite estava como qualquer outra, fria, vazia, minha depressão atingia seu ápice. 


Após muitas tentativas de tentar dormir, finalmente havia adormecido. No entanto, era um sono estranho, nem leve, nem pesado, apenas estranho. 


A estranheza rapidamente se transformou em medo, opressão, uma vez que não estava tendo um pesadelo, tampouco sonhando, estava fora do meu corpo, vagando a casa onde morava, como uma alma perdida. Havia esse sentimento, essa presença, mas não conseguia enxergar absolutamente nada. 

Todas as portas estavam trancadas, conseguia ouvir meu falecido avô dormindo, meu pai, estavam todos lá, tão perto, mas tão distantes.


Estava perdido na escuridão, os minutos que fiquei lá valeram por horas, quando finalmente voltei para meu corpo, pensei que sentiria gratidão, mas não senti. Talvez eu mereça, no fim das contas.

× send me your money ×

 Mesmo na fila para o abate 


Eles atiram pedras 


Defendem seus abutres engravatados 


E seus porcos fardados 


Que cospem, regurgitam em suas mentes vazias 


A cura para a tristeza: bolsos cheios


Só não disse os de quem 


Àqueles que se saciam nos fartos seios


Que desfrutam de cinco refeições diárias 


Mas e nós? 


Pessoas como nós, elas vão e vem 


Nossa importância é somente quando lhes convém 


E ainda assim, os adoramos


Cultuamos


Enquanto eles rezam por mais


Mais poder, mais dinheiro


Mais alcance para seu império 


E mais de nós no cemitério

sábado, 24 de janeiro de 2026

× mother machine gun ×

 Me encontre na divisa entre o sonho e o pesadelo


O lugar que apenas nós conhecemos 


Onde as noites parecem intermináveis 


E as manhãs permanecem devotas à luz do sol 


Onde o lar é amor 


E mesmo tendo ciência de sua finitude, cá estamos 


Lúcidos, flutuando em um novo sonho 


Sobreviventes de um pesadelo vívido 


Entre a luz e a escuridão nos encontramos 


Nos preparando para mais um Adeus

× lit me up ×

 Não se engane


Apesar dos olhos profundos e das palavras bonitas


Sou uma lua que não brilha, um sol que não queima


Um membro fantasma perdido há muito tempo 


Deixado para trás junto de uma poça de sangue estrangeiro 


Tão poético quanto psicótico 


Uma palavra que todos evitam dizer


A tristeza mascarada de prazer 


Talvez não haja salvação 


Talvez você apareça em meus sonhos para tentar


Mas não se esqueça que em meu quarto escuro existem muitos pregos


Então tente, traga sua luz


E veja seus esforços te colocarem em mais uma cruz

domingo, 4 de janeiro de 2026

× subliminal verses ×

 Eu nunca te contei 


E você nunca perguntou 


Mas no fundo, acho que você já sabia


Sempre soube


Que eu daria um jeito 


De estragar tudo


De enterrar o presente


Viver no passado


E sufocar o futuro


Sem intenção de prosseguir 


As peças do meu quebra-cabeças não mais se encaixam 


O vazio apenas aumenta 


O caos se torna palpável 


Amigável se torna a solidão 


Detestável como a chegada de um novo dia


Assim como a mão que se estende


Fingindo me resgatar 


E com um deslize


Meu final infeliz se concretiza

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

~ micro conto: mimic ~

 Aquela manhã parecia tão calma, calma demais para ser verdade, afinal, meu bairro era puro caos. 


Mas não naquela manhã, não, havia algo inexplicável acontecendo... 


Como zumbis, todos os meus vizinhos permaneciam estáticos, olhando para o céu, mas o que havia lá, afinal? 


Meu instinto de sobrevivência falou mais alto e decidi não olhar para o céu. 


Desci as escadas até a sala de estar e me deparei com uma cena ainda mais bizarra: meus pais e meu irmão mais novo, vidrados na televisão, do mesmo modo que os vizinhos. 


O que estava acontecendo? Pai, mãe? O que vocês tanto olham? 


Minha paranóia só aumentou, decidi não olhar para a televisão, voltei ao meu quarto e me escondi embaixo da cama...


Acabei adormecendo lá, rezando para Deus ou qualquer entidade, para que tudo aquilo fosse só um pesadelo estranho. 


Mas não era, aquele era o fim, pois quando acordei, estava sendo carregado por meus pais, e foi então que eu vi. 


Parecia com um planeta, era imenso, estava se aproximando de nós.


Mas... tinha algo muito errado, possuia uma boca enorme, com dentes afiados e uma língua negra. 


E os olhos. 


Incompreensíveis e sombrios como um buraco negro. 


Aquilo era maligno. 


E assim que todos os pares de olhos no mundo pararam para admirar aquilo, cabeças começaram a explodir... 


Como balões cheios de sangue, uma após a outra.


Minha vez ainda não chegou, mas sinto que está vin

× taste the blood ×

 As tatuagens disfarçam as cicatrizes  Memórias de noites horríveis  Pintadas de sangue e lágrimas invisíveis  Mas o pior é que sinto falta ...