Talvez eu seja um demônio
Pulando de um círculo do inferno pra outro
Encontrando conforto na desgraça
Sou um encosto
Romantizo a tragédia que se tornou minha existência
Não peço aplausos ou dinheiro
Faço pior, o papel de coitada
A vítima eterna
Lobo em pele de cordeiro
Canibalizando inocência
Dispenso coerência
Abraço a irreverência
Sou podre por natureza
Maldita de nascença
Não há crença ou Deus que me salve
Tempestuosa e longa
Inegável e óbvia
Minha queda
Ícone da desistência
Me entrego, não há mais resistência
Desisto, me abstenho da obediência
Abro mão da subserviência
Presa nesse corpo
Nesse mundo cão
As coisas simplesmente são