segunda-feira, 30 de março de 2026

× white pony ×

 Me diga, o que de fato sou 


Senão um livro repleto de palavras sem peso 


Rimas sem sentido e declarações sem desejo


Uma lágrima em uma piscina vazia, jamais completo


Um grito silencioso que vaga por um destino incerto 


Um tolo buscando esperança 


Mesmo sabendo que tenho ambos os pés submersos na escuridão do abismo 


Não há antídoto para a agonia que infectou meu coração 


E o desespero que se apossou de meu cérebro 


Insignificante sou


Como um grão de areia em meio ao deserto

quinta-feira, 26 de março de 2026

~ micro conto: have a nice life ~

 Em minha casa de infância me encontro, porém não me recordo. 


O que vim fazer aqui? Como cheguei até aqui? 


Com passos cautelosos eu sigo, agora, há poeira em meus pés, e baratas para me fazer companhia. 


As tábuas rangem, sinto uma presença fria. 


Na cozinha, um bolo de aniversário recheado de larvas. 


Abro a geladeira e acompanhado do cheiro putrido, ratos e restos de comida mofada. 


O lugar onde cresci, meu lar, agora uma casa abandonada. 


Ouço murmúrios vindos do banheiro, mas na porta não há maçaneta.


Um sentimento estranho me faz continuar explorando. 


Subo as escadas com cuidado, ainda assim, ferpas adentram meus pés descalços. 


Não sinto dor, mas sinto meus dedos se afundando na madeira podre ao chegar no corredor. 


Apenas dois quartos, o de meus pais, e o meu, trancado, com correntes e um enorme cadeado. 


Mas, espera, tem algo muito errado. 


Cobertos e imóveis, meus pais se deitam abraçados, algo parece pingar pelos lados e pelos pés da cama. 


O cheiro metálico, inconfundível, penetra meus sentidos, é sangue. 


Puxo as cobertas com apreensão, preciso vê-los. 


Com as entranhas já devoradas há muito tempo, encaro suas faces inchadas e apodrecidas por algum tempo. 


Talvez devesse chorar? Não, não consigo. 


Mas analisando todos os detalhes mórbidos, encontro uma chave dentro do que um dia foi minha mãe. 


Era a chave do meu quarto. 


E de repente, minhas mãos ficaram trêmulas, as pernas fracas, e um gosto amargo se apossa de minha garganta. 


Uso a chave no cadeado enferrujado. 


A princípio, é muito escuro para enxergar qualquer coisa.


Mas assim que meus olhos se adaptam à escuridão, eu vejo.


Eu lembro.


Uma dor sufocante me penetra. 


Minha garganta queima.


Eu lembro, eu vejo.


Vejo meu corpo sem vida.

× the devil and god ×

 Minha calma me assombra 


É ela quem me mantém no lugar 


Mas de repente percebo


Onde é que o tempo foi parar? 


As semanas se tornaram meses 


Sinto-me evaporar 


Sinto as garras da morte em meu peito escasso 


Em tuas asas me desfaço 


Não mais calmo, apreensivo 


Pois em breve, minha hora irá chegar

quarta-feira, 25 de março de 2026

× who are you beneath your mask? ×

 Preso entre o incerto e o etéreo


Um passado já esquecido


Um futuro inexistente 


E a solidão do presente 


Fazendo amizade com as sombras 


E àqueles à deriva nas águas do esquecimento 


Existindo sem sequer estar vivo 


E o único sentimento que perdura é a saudade 


De quem um dia devo ter sido 


Mas esse também, como o passado


Foi esquecido

× good morning, beautiful ×

 Observo com meus olhos cansados


A vida se extinguindo por entre os pulsos dilacerados 


A esperança cessando com um sopro congelante 


O fim da agonia inquietante 


O fim de uma vida


Uma alma brilhante 


Que teve seu brilho expurgado 


Por esse sofrimento constante

terça-feira, 24 de março de 2026

* Hello, friend *

 São... quase três da manhã, não faço ideia do que vou escrever aqui e tampouco de quem vai ler mas vamos lá. 

As coisas tem sido complicadas, sempre foram, mas acho que agora estão mais, muita coisa mudou, muita coisa piorou, e eu sinceramente não consigo enxergar um futuro em que eu esteja aqui, mas eu espero estar errado... 

Sempre fui apaixonado pela escrita, por criar histórias, com o tempo eu achei que podia fazer disso minha carreira, uma forma de ganhar dinheiro, acontece que eu quebrei a cara com isso, feio, e de lá pra cá minha opinião mudou muito. 

O que eu desejo, com esse, seja lá o que for isso, com meus poemas, meus contos e meus livros (se é que um dia vou publicar), é simplesmente tentar ajudar, qualquer um, qualquer pessoa que se sinta diferente, incompreendida, perdida, que sinta que a vida não tem mais valor. Por mais que seja hipócrita da minha parte ter pensamentos suicidas toda hora, tudo que eu mais quero é impedir que alguém desista, que uma luz se apague, o mundo já está escuro demais... 

Então se você estiver lendo isso, continue tentando, não por mim, não pelo mundo, mas por você. 

Apenas sobreviva de alguma forma. 


sexta-feira, 20 de março de 2026

× do you like the way the water tastes? ×

 Será que consegue me explicar o que tem de errado comigo? 


Há um buraco onde meu coração deveria estar 


Ele apodrece lentamente 


Com as memórias daqueles que tentaram me ajudar 


Porém decepção foi o que lhes consegui dar 


Será que preciso mudar de corpo? 


Em minhas mãos tenho duas escolhas 


A corda e a lâmina 


Estou sempre à um passo de distância 


Do abismo 


Do próximo corte


Mais profundo que qualquer outro 


Não é um pedido por clemência 


É a minha consciência corrompida 


Consegue me explicar o que tem de errado comigo? 


Acho que tudo


A maldição que chamo de vida

quinta-feira, 19 de março de 2026

× pendulous skin ×

 E se eu me esquecer? 


Se eu desaparecer? 


Me perder no caminho tempestuoso que vago


Você iria me procurar? 


Iria usar o meu nome secreto? 


Aquele que apenas você sabe


E se eu me esquecer de você também? 


Você usará a chave? 


Àquela que lhe permite vagar por minha mente caótica 


Tóxica e fragmentada 


Caminhe por entre todos os meus fracassos 


Junte meus pedaços 


Me cure de minha angústia insaciável 


Pinte cores em meu mundo detestável 


Explore meu sonho incontestável 


O único que tenho


Viver 


Sem desejar morrer

terça-feira, 17 de março de 2026

× yesterday is time killed ×

 Conexão rompida


Chamada perdida


A mesma história de sempre


Pensamentos sombrios


Olhos que contemplam o abismo 


Mãos que praticam o ato final


Mas dessa vez é real 


Não aja como se fosse surpresa


No fim, só havia uma saída 


Uma existência perdida 


Que agora se encontra em outro plano 


Dias, semanas, anos 


Esquecido fui


Esquecido permaneço 


Nos confins do esquecimento agora me aqueço

× the end, somewhere ×

 Com meu solitário poema lhe deixo


Fujo de minha casca mortal 


Como a fumaça de meu cigarro


Perdida com o sopro desesperado do vento


Indo para qualquer canto


Menos na direção de seus braços 


Cinzas caem e o fogo queima meus laços 


Traiçoeiro e trágico é o caminho que traço 


Agora faço da miséria meu lar, minha musa


Entregue ao absoluto nada


Minha alma confusa

× hole in the earth ×

 Rasteje de volta para a ruína 


Retire todos os meus amanhãs 


Me alimente com cianeto e arsênico 


Faça-me esquecer do meu passado imperdoável 


Me prometa que a escuridão irá me purificar 


Que o sol retornará ao inferno 


Que a noite reinará 


Que da luz não virá nada bom 


Com ela, se fazem reais meus medos


E descobertos, meus segredos